O Valor da biodiversidade
1-Utilitário
2–Intrínseco
Valor utilitário:
A. Bens –alimentos, medicamentos, combustível
B. Serviços –Reciclagem, polinização, Fixação de azoto
C. Informação –Biologia aplicada
D. Psíquico e espiritual –Beleza, inspiração religiosa, conhecimento
Por exemplo, o argumento de que “potenciais medicamentos”podem ser perdidos devido à extinção de espécies tem sido muito utilizado, o que indica a estima que os medicamentos gozam na sociedade actual.
Do ponto de vista de informação (genética e outra) a destruição da biodiversidade é semelhante à destruição de livros.
O Valor da biodiversidade
Do ponto de vista de estética natural e religião a destruição da biodiversidade é semelhante à vandalização de uma obra de arte.
2. Valor intrínseco: a vida não humana apresenta valor inerente para o homem, o que poderá constituir a maior motivação para conservar a biodiversidade. Os valores estéticos e espirituais da natureza estão relacionados com os valores intrínsecos.
Carta das Nações Unidas para a Natureza: “Qualquer forma de vida é única e merece respeito, independentemente da sua utilidade para o homem.”
Convenção para a biodiversidade: “O valor intrínseco da diversidade biológica.”
Extinção provocada pelo homem = assassínio
Extinção natural = morte de causa natural (Rolston 1998).
O Valor da biodiversidade
Os valores utilitários e intrínsecos da biodiversidade não são mutuamente exclusivos.
“Não pensem em utilizar decentemente o solo apenas de um ponto de vista económico. Examinem cada questão em termos do que é ético e esteticamente correcto, bem como a parte económica. Uma coisa só está correcta quando tende a preservar a integridade, a estabilidade e a beleza das comunidades bióticas (Leopold 1949)”.
Biodiversidade apresenta apenas um valor instrumental. O aspecto da conservação tem de se justificar Biodiversidade com um valor instrumental e intrínseco. O aspecto do desenvolvimento tem de ser justificado.
Atribuir valor financeiro à biodiversidade
(Leitura obrigatória: Costanza et al (1997) Nature 405: 234-242)
Pode-se atribuir um valor financeiro a algumas espécies ameaçadas (por exemplo as presas do elefante). Assim, não seria do interesse do “proprietário”contribuir para a extinção da sua fonte de rendimento.
Mas muitas espécies apresentam taxas de crescimento reduzidas. E as espécies sem valor monetário óbvio ?
- Cálculo da quantidade que as pessoas estão dispostas a pagar adiantadamente de modo a garantir uma opção de utilização futura.
- Atribuir um valor monetário à biodiversidade e natureza em si (por exemplo, à polinização pelas abelhas): qual seria o custo da substituição dos serviços naturais por serviços artificiais.
Ao atribuir um valor intrínseco à biodiversidade estamos a retirá-la da validação económica (Sagofff 1988). A biodiversidade apresenta um valor incalculável e deverá ser conservada, a não ser que esse custo seja proibitivo (Bishop 1978).
Ética, Religião e Conservação da Natureza
Antropocentrismo: Em termos tradicionais, no mundo ocidental, apenas os seres humanos são alvo de consideração ética.
MAS
frases como “Deus criou o homem para ser homem”e “dominar a natureza": sugerem que Deus conferiu aos homens responsabilidade de cuidar da natureza. Assim muitas acções de destruição da biodiversidade podem ser julgadas não éticas sem entrar em conflito com os valores morais Ocidentais.
Conclusões semelhantes podem ser conseguidas utilizando as correntes religiosas não ocidentais: motivações para acções de conservação podem ser encontradas em termos religiosos.
Ética, Religião e Conservação da Natureza
Islamismo: O homem tem um lugar previlegiado. Os outros seres foram criados para servir a humanidade.
Mas o Corão refere “Deus criou todas as coisas em equilíbrio”.
Hinduismo: Os seres humanos são convidados a identificarem-se com outras formas de vida. Tal conduz a uma “compaixão pelas outras formas de vida”. ► Este pensamento motivou um movimento conservacionista de preservação de florestas dos Himalaias.
Taoismo: Existe um Tao(caminho) da natureza. Os processos naturais ocorrem de uma forma ordenada e harmoniosa ► as actividades humanas não devem bloquear o tao.
Budismo: Controlar o desejo, reduzir o consumo e contemplar a natureza.
This entry was posted on domingo, novembro 01, 2009 and is filed under
Reflexões pessoais
. You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed. You can leave a response, or trackback from your own site.

4 comentários:
Caro Jorge Ramalho
Acho que o tema das humanidades, me toca no ego, e aproveito para retribuir os parabéns, pois é com agrado que fasso um comentário ao teu trabalho sobre o “valor da biodiversidade”.
O factor científico é sempre o mais abordado, mas a história tem sempre o seu valor. A biodiversidade acompanhou-nos na nossa evolução como humanos.
Se respeitarmos as culturas e as suas regiões estamos a respeitar o ser humano na sua pureza.
A tecnologia é importante para o bem e para o mal, mas uma coisa é certa o homem não é uma máquina mas sim um aglomerado de átomos que se juntaram e pela acção de ligação moleculares, originaram compostos orgânicos (DNA), que deram origem a um ser vivo, resistente, adaptável, com capacidade de tratar a informação e através da sua inteligência contribuir para aquilo que somos hoje.
Ao respeitar-mos um Deus através de uma religião estamos a respeitar a ordem do Universo e da vida. Todas as religiões são válidas e só pela acção de mentes pervertidas é que os escritos religiosos podem ser transformadas em práticas do mal.
Eu sou cristão mas valorizo qualquer tipo de religião e sou fã do budismo (que não tem um Deus assumido).
Penso que o budismo tem a ver com a biodiversidade, pois as suas harmonias, a respeitabilidade, as meditações e as suas sapiências são uma mais valia para a valorização da biodiversidade.
Pergunta: Porque será que o tigre é o animal escolhido pelos monges budistas?
Resposta: O budismo assegura a harmonia do lugar.
JSaldanha
Obrigado JSaldanha,
Os teus comentários são simplesmente impecáveis.
Um abraço
De facto significa que as actividades antropogenicas tambem sao a causa da degradacao da diversidade biologica
Como é vista a Biodiversidade nos dias de hoje?
A biodiversidade é hoje vista como um indicador crítico da saúde do planeta e como um dos pilares essenciais para a estabilidade ecológica, económica e social.
A percepção pública e científica mudou muito nas últimas décadas: deixou de ser um tema apenas “ambiental” e passou a ser entendida como infraestrutura vital — tão importante como energia, água ou segurança alimentar.
Visão atual da biodiversidade (síntese)
• A biodiversidade é encarada como um sistema em rápido declínio, cuja perda afeta diretamente:
• a estabilidade dos ecossistemas,
• a produção de alimentos,
• a regulação climática,
• a economia e o bem‑estar humano.
O consenso científico e político é claro: estamos numa crise de biodiversidade, e travá‑la é tão urgente quanto combater as alterações climáticas.
Como a biodiversidade é vista hoje — em detalhe
1) Um património natural em risco crescente
Estudos recentes mostram que a pressão humana — alterações climáticas, destruição de habitats, poluição, sobre-exploração e espécies invasoras — está a provocar um declínio acelerado da vida selvagem.
Segundo a WWF, as populações de vertebrados monitorizadas caíram 73% nos últimos 50 anos a nível global.
Em Portugal, esta tendência é igualmente evidente:
• mais de 800 espécies de animais e plantas estão ameaçadas,
• desapareceram 33% dos sapais e 10% das pradarias marinhas, essenciais para carbono azul e proteção costeira.
2) Um ativo estratégico para países e economias
A biodiversidade é hoje reconhecida como capital natural — um recurso estratégico que sustenta setores como agricultura, pesca, turismo, água e proteção costeira.
A Estratégia Nacional de Conservação da Natureza e Biodiversidade 2030 destaca que o património natural é “um ativo estratégico do país” e que o seu declínio compromete a resiliência ambiental e económica.
3) Um amortecedor natural contra crises
A biodiversidade é vista como amortecedor natural contra eventos extremos:
• regula o clima,
• protege zonas costeiras,
• mantém a fertilidade dos solos,
• assegura água potável.
A perda de habitats reduz a capacidade dos ecossistemas de absorver choques climáticos, como secas, incêndios e tempestades.
4) Um desafio de políticas públicas e ação coletiva
Governos, empresas e organizações reconhecem que a conservação exige:
• políticas integradas,
• restauro ecológico,
• gestão sustentável do território,
• envolvimento das comunidades.
Portugal tem avançado com:
• planos de gestão das Zonas Especiais de Conservação (56 concluídos),
• restauro de mais de 700 km de rios e ribeiras,
• preparação do Plano Nacional de Restauro da Natureza, alinhado com metas europeias de restaurar 20% das áreas terrestres e marinhas até 2030.
5) Uma urgência que ainda permite esperança
Apesar da degradação, especialistas afirmam que ainda vamos a tempo de travar parte da perda, se houver:
• práticas agrícolas regenerativas,
• gestão florestal ativa,
• corredores ecológicos,
• redução de pesticidas,
• integração dos limites ambientais nas decisões económicas.
Jorge Ramalho
Bibliografia utilizada:
The global human impact on biodiversity (2025) - Nature
Estratégia Nacional de Conservação da Natureza e Biodiversidade 2030 - ICNF - Instituto da...
Entrevistas e análises sobre o declínio da biodiversidade em Portugal (2026) - Revista Sustentável
Dia Internacional da Biodiversidade 2026 (medidas e planos nacionais) - ICNF - Instituto da...
Caminhos para travar a perda de biodiversidade (2026) - Revista Sustentável